| Políticos e grandes proprietários se articulam para barrar demarcações das terras indígenas e quilombolas no RS |
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| Seg, 17 de Maio de 2010 19:54 |
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Representando a FARSUL, o filósofo Denis Rosenfield, membro do Departamento de Filosofia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, questionou a autenticidade dos coletivos indígenas e quilombolas, bem como a legitimidade de seus direitos constitucionalmente reconhecidos à terra. O filósofo afirmou ainda que os índios que vivem no espaço urbano estão todos aculturados e que não desejam “voltar ao estágio primitivo pré-cabral”. Segundo Rosenfield é necessário que haja uma “integração e aculturação destas populações com o objetivo de torná-las cidadãos plenos e não falsas comunidades primitivas”. Para o deputado Jerônimo Georgen (PP) é inaceitável a ocorrência de demarcação de terras indígenas em áreas produtivas. Georgen, que também é autor de um projeto de lei que garante aos proprietários de terra a sua permanência até a conclusão do processo de indenização e do julgamento das ações de reintegração de posse, disse também que após o estabelecimento das terras indígenas em Rondinha e Erechim, agricultores foram marginalizados e hoje não têm onde morar. Pedro Prezzoto (DEM), prefeito da municipalidade de Getúlio Vargas, disse que “ou se rasga a constituição brasileira ou se respeita o direito de propriedade dos fazendeiros”, e que estes só sairão de suas terras à força. Prezzoto afirmou também que nenhum proprietário de terras aceitará indenização. Legitimidade
O deputado Alceu Moreira (PMDB) defendeu a validade dos títulos de propriedade à revelia da legitimidade das demandas dos povos indígenas e quilombolas. Moreira afirmou, sem apresentar evidências, que as demarcações são de interesse de norte-americanos e europeus visando diminuir a produção brasileira. Ainda segundo o deputado “os Estados Unidos mataram todos seus índios e agora querem proteger os nossos”, e que essa proteção evidenciaria “interesses de retardar nossa agricultura”. Além disso Moreira defendeu que aos índios não podem ser destinadas áreas produtivas.
O deputado Ivar Pavan (PT) afirmou sem entrar em detalhes que laudos antropológicos não possuem consistência técnica e comentou a necessidade de laudos serem isentos, sugerindo também remover os índios para outra região deixando as terras para fazendeiros.
A representante do Ministério Público Estadual Beatriz Lang ressaltou o caráter unilateral da reunião que não contou com a presença de lideranças indígenas, representantes quilombolas, da Funai ou do Incra. Lembrou também da existência do Grupo de Trabalho sobre territorialidades indígenas da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembléia, e da necessidade de trabalho em conjunto. Contando com dois dos maiores grupos étnicos existentes no Brasil – os guaranis e os kaingangues – o Rio Grande do Sul paradoxalmente segue sendo um dos estados da União que possui menos terras indígenas homologadas. Publicado Originalmente no Blog Povos Indígenas do Sul |




Nesta quinta-feira (13) setores articulados contra a demarcação das terras indígenas e quilombolas no estado do Rio Grande do Sul se reuniram na Comissão de Serviços Públicos da Assembléia Legislativa do Estado